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A forquilha da cabeça da corvina

Então! A gente sempre tem aquelas histórias que ouve dos familiares e quanto mais bizarras e estranhas, melhores elas são de contar. E nesse domingo de inverno, manhã de sol lindo, Ribeirão da Ilha perfumando comidas em todas as casas. Dia bom de fumaçar fogão e panelas, jogar conversa fora e contar boas consistentes mentiras. Lembro da mãe contando da façanha do tio Arnoldo. Diz ela que o esganado chupada com gosto a cabeça da corvina e lá se foi a espinha pra goela. A forquilha espetou de tal jeito que o "zoiúdo" não engolia nem cuspia. Nada pra fora e nada pra dentro. Ficou tentando de todo jeito tirar e os dedos alheios, visitaram as profundezas da garganta do Arnoldo sem sucesso. Segundo relatou a fidedigna Zeza(minha mãe) e isso é a mais pura verdade, o desespero tomou conta do tio Arnoldo, que achava que ia morrer com a forquilha da cabeça da corvina na goela. E lá pelas tantas, como não conseguia engolir, convenceu-se de que tudo estava terminado. ...